As discussões a cerca da inclusão escolar de pessoas com
surdez na sociedade não é recente, esta acompanha as diferentes transformações
sociais no âmbito educacional, esforçando-se para obter o acesso universal á
educação e equidade, embora persistam terríveis desigualdades educacionais, o
que significa que o ambiente educativo ainda não se encontra capaz em muitos
casos de romper com os obstáculos impostos para uma inclusão eficaz.
Um dos principais desafios da inclusão escolar é a luta
por inovações das práticas pedagógicas das classes comuns e do atendimento
especial no AEE, que é direcionado aos alunos com surdez na escola inclusiva,
visto que é uma ação que vem sendo arquitetada e renovada todo dia, a partir
das técnicas vivenciadas entre estudantes e professores. No entanto, na busca
da universalização da educação para alunos com surdez, se faz necessário que
discentes, pais, docentes e governantes acreditem que juntos podem encontrar
saídas sociológicas e pedagógicas para esse enorme desafio.
A Política Nacional de
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao encontro
do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais e institucionais
para promover a participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola
comum. Muitos desafios precisam ser enfrentados e as propostas educacionais
revistas, conduzindo a uma tomada de posição que resulte em novas práticas de
ensino e aprendizagem consistentes e produtivas para a educação de pessoas com
surdez, nas escolas públicas e particulares.
A inserção educativa de pessoas com surdez no recinto das
instituições escolares é um direito que lhes são garantidos por Lei, para que
possam desenvolver-se plenamente como pessoa, mas para que isto aconteça se faz
necessário garantir o empate de oportunidades adaptando o que seja necessário,
reinventando as formas de conceber a escola e seus aprendizados pedagógicos,
rompendo com as barreiras cominadas pelo ambiente educacional e social.
Respaldados pelos novos paradigmas inclusivos,
as pessoas com surdez têm conquistado atualmente direitos fundamentais que
promovem a sua inclusão social. O reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais
– Libras, em abril de 2002, e sua recente regulamentação, conforme o decreto nª
5.626, de 22 de dezembro de 2005, legitimam a atuação e a formação
profissional de tradutores e intérpretes de Libras e Língua Portuguesa. Garante
ainda a obrigatoriedade do ensino de Libras na educação básica e no ensino
superior - cursos de licenciatura e de Fonoaudiologia e regulamenta a formação
de professores da Libras, o que abre um amplo espaço, nunca antes alcançado,
para a discussão sobre a educação das pessoas com surdez, suas formas de
ocorrência e socialização.
Atualmente, mesmo mediante os estudos e discussões sobre
as pessoas com surdez em nossa sociedade, ainda persistem formas errôneas nas
práticas pedagógicas em muitas instituições de ensino, bem como a maneira de
alguns cidadãos ao se referirem a estas pessoas, as quais são em muitos casos
excluídas ao meio em que vivem, sem poderem ter livre arbítrio de expressão com
a sua língua. No entanto, sabemos que elas têm apenas uma deficiência e precisam
ser respeitadas em suas diferenças, necessidades, potencialidades e habilidades
comunicativas, para que também possam se sentir indivíduos realmente capazes de
aquisição e produção de conhecimentos, não apenas pelos artifícios visuais e
gestuais, assim como através da leitura e escrita, e ainda do próprio discurso
caso desejem.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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P., Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento educacional
especializado em construção. Revista Inclusão: Revista da
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Inclusiva para Pessoas com Surdez na Escola Comum – questões polêmicas e
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ALVEZ, C. B.; FERREIRA, J. DE P;
DAMÁSIO, M. M., Abordagem bilíngue na escolarização de pessoa com
surdez. Coleção Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar. MEC/SEESP/UFC, Brasília-DF, 2010
