sexta-feira, 21 de março de 2014

Educação Escolar das Pessoas com Surdez


As discussões a cerca da inclusão escolar de pessoas com surdez na sociedade não é recente, esta acompanha as diferentes transformações sociais no âmbito educacional, esforçando-se para obter o acesso universal á educação e equidade, embora persistam terríveis desigualdades educacionais, o que significa que o ambiente educativo ainda não se encontra capaz em muitos casos de romper com os obstáculos impostos para uma inclusão eficaz.
Um dos principais desafios da inclusão escolar é a luta por inovações das práticas pedagógicas das classes comuns e do atendimento especial no AEE, que é direcionado aos alunos com surdez na escola inclusiva, visto que é uma ação que vem sendo arquitetada e renovada todo dia, a partir das técnicas vivenciadas entre estudantes e professores. No entanto, na busca da universalização da educação para alunos com surdez, se faz necessário que discentes, pais, docentes e governantes acreditem que juntos podem encontrar saídas sociológicas e pedagógicas para esse enorme desafio.
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais e institucionais para promover a participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum. Muitos desafios precisam ser enfrentados e as propostas educacionais revistas, conduzindo a uma tomada de posição que resulte em novas práticas de ensino e aprendizagem consistentes e produtivas para a educação de pessoas com surdez, nas escolas públicas e particulares.
A inserção educativa de pessoas com surdez no recinto das instituições escolares é um direito que lhes são garantidos por Lei, para que possam desenvolver-se plenamente como pessoa, mas para que isto aconteça se faz necessário garantir o empate de oportunidades adaptando o que seja necessário, reinventando as formas de conceber a escola e seus aprendizados pedagógicos, rompendo com as barreiras cominadas pelo ambiente educacional e social.

Respaldados pelos novos paradigmas inclusivos, as pessoas com surdez têm conquistado atualmente direitos fundamentais que promovem a sua inclusão social. O reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais – Libras, em abril de 2002, e sua recente regulamentação, conforme o decreto nª 5.626, de 22 de dezembro de 2005, legitimam a atuação e a formação profissional de tradutores e intérpretes de Libras e Língua Portuguesa. Garante ainda a obrigatoriedade do ensino de Libras na educação básica e no ensino superior - cursos de licenciatura e de Fonoaudiologia e regulamenta a formação de professores da Libras, o que abre um amplo espaço, nunca antes alcançado, para a discussão sobre a educação das pessoas com surdez, suas formas de ocorrência e socialização.
Atualmente, mesmo mediante os estudos e discussões sobre as pessoas com surdez em nossa sociedade, ainda persistem formas errôneas nas práticas pedagógicas em muitas instituições de ensino, bem como a maneira de alguns cidadãos ao se referirem a estas pessoas, as quais são em muitos casos excluídas ao meio em que vivem, sem poderem ter livre arbítrio de expressão com a sua língua. No entanto, sabemos que elas têm apenas uma deficiência e precisam ser respeitadas em suas diferenças, necessidades, potencialidades e habilidades comunicativas, para que também possam se sentir indivíduos realmente capazes de aquisição e produção de conhecimentos, não apenas pelos artifícios visuais e gestuais, assim como através da leitura e escrita, e ainda do próprio discurso caso desejem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DAMÁSIO, M. F. M.; FERREIRA, J. de P., Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento educacional especializado em construçãoRevista Inclusão: Revista da Educação Especial. Brasília-DF, v.5, n.1, p.46-57, 2010.

DAMÁSIO, Mirlene F. M., Atendimento Educacional Especializado Pessoa com Surdez. SEESP/SEED/MEC, Brasília-DF, 2007.

______, Educação Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdez na Escola Comum – questões polêmicas e avanços contemporâneos. Ensaios Pedagógicos construindo escolas inclusivas. 1º ed. MEC/SEESP, Brasília-DF, 2005.

ALVEZ, C. B.; FERREIRA, J. DE P; DAMÁSIO, M. M., Abordagem bilíngue na escolarização de pessoa com surdez. Coleção Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. MEC/SEESP/UFC, Brasília-DF, 2010